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terça-feira, 22 de julho de 2014

O encontro com o Jardineiro do Rei. Série Paris

                                                        Foi um encontro inesperado.
                                   Não teve saída...precisamos ficar juntos por quatro horas!

Jeanne era uma jovem iniciante como guia para turistas às visitas no castelo de Versailles. Era insegura, pois novata no seu trabalho... e precisava de muito conhecimento da história do Castelo para falar às pessoas. Ela era uma legítima Versaillaise (de nascimento). Orgulhava-se disso. Aos poucos foi pegando o jeito com os grupos de turistas e até conseguia fazer rir ( alguns deles) com suas piadas a moda francesa. Conheceu o homem que cuidava dos relógios do Palácio e trocavam grandes conversas sobre os detalhes de cada ponteiro e como precisavam de regulagem diária para funcionar bem.

Um dia, olhando pelas grandes janelas de vidro do palácio, viu um grupo de pessoas chegando. Elas usavam uniformes de jardinagem e carregavam plantas, vasos e outros materiais para trabalhar no jardim. Um jovem chamou a sua atenção. Era Dylan. Discretamente se aproximou e após um tempo breve de conversa descobriu que ele também era novato no trabalho. E, mais. Descobriu que ele trabalhava ali durante o dia e ia dormir na 28, avenue de Paris. Jeanne sabia que esse endereço era o da prisão. Uma casa destinada para mulheres, mas que também acolhia homens que estavam em regime semi-aberto. 

Dylan fez um convite para a jovem guia: 
" se você aceitar um copo de vinho comigo, algum dia desse ,será um prazer" ....



                                                         Segunda-feira decidi que seria um dia de descanso.
                                     Minhas pernas agradeceriam, pois as andanças foram tantas...todos os dias.
Pensei: mais tarde vou descer para um cafezinho, na boulangerie da esquina e apreciar o povo passar.
Antes, porém...mexendo aqui e acolá acesso o Skype e começo conversar com Gustavo (meu filho) através da câmera. Fiquei tão feliz, mas tão feliz! Começo então a apresentar o lugar onde estou hospedada...a varandinha, a cozinha, a sala/quarto, o chuveiro e pia ...opa! Um detalhe: o banheiro propriamente dito fica lá fora...no corredor. Coisas de prédios antigos, por aqui.

Cheia de emoção...a cabeça não pensa. Abri a porta e saí corredor afora com a câmera em mãos para mostrar o caminho até  à toillete. Foi quando escutei: trooookkkkkk. Meus Deus, a porta se fechou!!!!

Voltei correndo. Tarde demais. Estava eu trancada pelo lado de fora, sem as chaves, vestida de camisola ( ainda bem que não era muito sexy rsrsr) e descalço. Ainda tentei forçar um pouco aquela portinhaaaaa...em vão!



No primeiro momento...uiiiiii...que droga! Depois pensei...não tenho o que fazer! Preciso esperar pela Sophie. O dilema era que não sabia se ela voltaria para casa ou se iria direto dormir na casa do seu namorado.
                                    Sorte...IPAD comigo. Azar...sem conexão!
Sentei na escadaria e fui tentando. Também busquei todas as revistas e livros que estavam no toilette . 
De repente deu certo...internet funcionando! Primeiro de tudo: enviar msg no facebbok para ela e rezar que ela veja! ( Ela viu)... Segundo: avisar Gustavo do corte brusco de nossa filmagem emocionada. E, ele, com seu costumeiro bom humor, depois de 1 hora que eu estava ali,  disse: - é rapidão, mãe...mais 3 parcelas de 1 hora ou 6 de meia hora...tempo é dinheiro rsrsrsrsr. 
Terceiro: esperar pacientemente quatro horas no total, ali, sentada...admirando a escada!
                                                  Bem, eu queria descansar, não é?


                                                            E, o Jardineiro do Rei?
Ficou comigo o tempo todo! Grande amigo! " Me salvou" e ainda elevou minha autoestima: nem sabia que era capaz de ler um romance água com açúcar escrito em francês! Voilá.



                Daqui pra frente esse será o mais sofisticado dos colares que passarei a usar no pescoço!
                                                       HERMÈS que me desculpe!

                                                                                                             À bientôt
               
                         
               
       


domingo, 20 de julho de 2014

Emoção maior. Série Paris

Final de semana é igual em todo lugar do mundo. A cidade fica mais quietinha, as pessoas passam com o pacote da padaria, as bicicletas ocupam o lugar dos carros. As famílias saem para passear, tomar sorvete na praça, e os semblantes estão mais relaxados. Paris não é diferente. Se não fossem os milhares de turistas que disputam um espaço nas calçadas, aqui também seria tranquilo. Há regiões bem sossegadas, mas outras é melhor ficar longe!

O sol não apareceu hoje. Mesmo assim, um bom programa para esse dimanche é descansar os olhos admirando as flores, o palácio e o verde do " Jardim de Luxemburgo" . Passar horas nesse paraíso ...apenas olhando! Contemplando e se maravilhando.Ele é lindo, grande, imponente e acolhedor. 



       
    A chuva não demorou e chegou...fina, leve! 
Ainda bem que levei meu "le parapluie". ( parar a chuva ou guarda-chuva).


A chuva ia e vinha. Comprei um crepe e fui caminhando em direção ao lugar que mais ansiava chegar.                                                        Emoção maior:  L´Universite Sorbonne. 



Lá estava ela. E, eu tão feliz por vê-la! Fiquei ali sentada, ao lado da praça por longo tempo. Comendo o crepe, mas saboreando o visual daquela construção, tão inspiradora. Me emocionei. Fiquei imaginando todos os saberes que lá dentro já estiveram e quantos pensamentos que mudaram e reconduziram  tantas teorias e sociedades. E, continuava imaginando as pessoas que já estudaram ali, e tantas outras que estudam nesse momento e, ainda quantas outras, que o sonho é adentrar por aquela grande porta e lá ficar...sendo orientada por mentes brilhantes. O espírito universitário me fascina. Vicia! O conhecimento me envolve e me comove. Quem sabe ainda faísca dentro do meu ser uma ponta de luz que sonha em estudar ali...quem sabe!

                          " Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina".
                                                                          Cora Coralina

                                                                                     Au revoir
                                             
                                                           








sábado, 19 de julho de 2014

Marché des Les Enfants Rouges. Série Paris.

O sábado amanheceu um pouco nublado. Depois de uma noite muito quente, quando espiei pela janela, pensei que iria chover. Mas, o dia foi perfeito para curtir parte dele no mercado.
                                              Marchè des Enfants Rouges.
 Interessante,  porque já havia selecionado esse lugar para conhecer antes de sair do Brasil e, para minha surpresa ele está aqui pertinho...meus pés agradeceram as sandálias havaianas e lá fomos pela estrada afora!


                     O mercado Les Enfants Rouges é o mais antigo de Paris. Criado em 1615 e  está                                       localizado na 39, rue de Bretagne - Haut Marais ( 3º arrondissement).


                           É pequeno em tamanho, grande em variedade de belezas e delícias.


        Oferece muita coisa boa por metro quadrado: quitutes franceses, árabes, italianos que podem ser consumidos no local ou levados para casa.


                             Na verdade é um grande ponto de encontro de amigos parisienses ou
                                  pessoas de todos os  lugares do mundo.


Curioso é que ao mesmo tempo que os produtos podem ser comprados ao natural...também servem preparados...tipo " pegou na horta e preparado especialmente para ser degustado" ...na hora!

                                                          Comida francesa, voilà! 
                                                         Restaurante L´Estaminet
                                      Saumon rôti, salicorne et legumes en chaud froid. ( 13 €)


                    E a sobremesa irresistível: Soupe de pêche et son sorbet verveine ( 7€)
                 Parece fácil de fazer ( dedução minha): pêssegos frescos e doces batidos no liquidificador servidos com uma bola de sorvete de verbena. O sabor da verbena é muito similar com o da erva-cidreira. Também deve ficar muito bom com outro sabor de sorvete!!!


                                      E, olhem só quem me serviu? Amélie Poulain

             
                                        Brincadeirinha....mas que é parecida, é!

                             Bom mesmo é ficar sentada  apreciando quem passa.
                             Para ir às compras é preciso manter o charme e a elegância.
                                                            Coisas de Paris!


                             E, para não ficar de fora...fui logo me adaptando para fazer parte da tribo!


                                       " Sem elegância no coração, não há elegância".
                                                            -Yves Saint-Laurent-

                                                
                                                                                            À demain! Bonne nuit.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Museu Pompidou. Série Paris



" Nenhum grande artista vê as coisas como realmente são. 
Caso contrário, deixaria de ser um artista".
-Oscar Wilde-















                                                                 Sem palavras!
                                                            Bonne nuit e à demain!

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Place Madeleine. Série Paris

Rezar, Comer e Amar.
Não sei se exatamente nessa ordem, mas são três verbos que combinaram com o dia de hoje.

REZAR...e agradecer. Agradecer muito por tamanho privilégio. Entrar na Igreja de Madeleine e aquietar-se no frescor das grandes pilastras trouxe-me para a realidade da pequenês do ser humano diante de tanta grandeza, beleza e devoção.

Inaugurada em 1842, depois de 80 anos de construção, a Igreja de Madeleine lembra um templo grego e  está situada na Place Madeleine, uma das surpresas bonitas de Paris.


COMER... e se encantar com as delícias da Fauchon Paris. É uma delicatessen de alto nível , que oferece aos seus clientes, desde 1886, uma experiência gastronômica maravilhosa, com alimentos refinados e incomuns. Depois de rezar na Igreja Madeleine, atravesse a rua e descubra produtos que são dos deuses!


                             As cores da iluminação deixam o ambiente muito elegante.


                                                             Perfume francês?
                                                          NÃO! Azeite de Oliva!


               Café originário de vários lugares do mundo e embalados como verdadeiros presentes!


                                               No subsolo uma adega de tirar o fôlego!


                                              A respiração para por um instante.
                                                                 90 euros.
                                               Êpa! Engano de leitura: 9.000 euros!

                   
                    Mas há também os maravilhosos vinhos para todos os gostos e todos os bolsos!


                                          Subindo ao primeiro andar: O restaurante


                                   Um ambiente lindo, elegante e despojado ao mesmo tempo.
                                          O presente do dia: almoçar nesse oásis.
Aprender a valorizar o momento. Num dia, um sanduíche degustado sentada no banco da praça; noutro, apreciar o que há de melhor em Paris. Sim! A cota financeira do dia foi muito bem aplicada.


                                   AMAR... o próximo e a si mesmo e celebrar a vida, a saúde e a oportunidade!
                                                                              Santè!

                " Não existe coisa melhor no mundo do que viver, curtir e gozar a vida, que passa rápido e daqui não levaremos nada, a não ser toda a experiência e as vivências" . 
                                                                                                 Charles Chaplin

quarta-feira, 16 de julho de 2014

L´Orangerie. Série Paris

                    Agora sim! O verão chegou: Sol e calor. Esse é o clima que amo por aqui.


                                                      Destino de hoje: L´Orangerie.

O Museu de L´Orangerie é uma galeria de arte impressionista e pós-impressionista localizada na Place de la Concorde. A galeria está na antiga estufa do Palácio das Tullerias.
Como o próprio nome sugere , o museu está localizado num antigo laranjal, construído em 1852, no Jardim das Tulheries.

Cheguei de metrô, na estação Tulherie e atravessei o jardim caminhando. Só isso já teria valido a pena!


                                         Mas, o espetáculo maior ainda estava por vir.


L`Orangerie é conhecido sobretudo pelo grande conjunto/ mural de Claude Monet, Les Nymphéas.
Sou apaixonada pelas obras de Monet. Especialmente depois de ter conhecido a casa e os jardins em Giverny, desse incrível retratista da natureza. Ao olhar suas obras é como estar ao vivo naquele lugar...ou, o contrário, ao estar nos jardins de Monet é como estar dentro de um quadro pintado por ele. Apaixonante!

Sou da área de Letras. Portanto, tive contato com escritores de variadas épocas. Confesso que, ao se tratar de pintores meu conhecimento não é muito grande. O que mais me chama a atenção, ao entrar em um museu de arte, é observar as crianças, levadas por seus pais para apreciar as obras. Privilégio o delas. Desde pequenas estão sendo despertadas para tal conhecimento. É por isso que a facilidade delas é grande e a minha dificuldade ganha espaço. Então, sem tempo a perder...nunca é tarde para começar.

O ingresso custou 9 euros. E, o áudio guia mais 5 euros. Com 14 euros me deliciei durante quase 3 horas. Apreciando, olhando, escutando, retomando e entendendo a filosofia de vida de cada artista: Monet, Picasso, Renoir, Cézanne, Rousseau, Modigliani, Laurecin, Matisse, Derain, Utrillo e Soutine.

Alguns dele nunca havia ouvido falar. Outros, por serem mais famosos e populares, eram mais familiares.
Deixo aqui registradas algumas curiosidades que achei interesse:

Claude Monet ( 1895-1926)- Durante 30 anos trabalhou incansavelmente sobre o mesmo tema: Lírios de Água. E, pintou mais de 300 quadros...todos sob o cenário de sua casa e jardim, em Giverny - na Normandia. Acometido por cataratas, quase cego no fim de sua vida, continuava a pintar ( sem enxergar) pois sabia onde estavam as cores nas paletas, que as deixavam sempre no mesmo lugar.

Paul Cézanne ( 1839-1906) - Extremamente exigente, levava longo tempo para pintar uma tela e poucos modelos resistiam a isso. Razão pela qual se explica que ele optou por pintar natureza morta, na maioria de suas obras.

Pierre-Auguste Renoir ( 1841- 1919) - Sofreu de reumatismo crônico e no final da vida usava cadeira de rodas. Sem conseguir andar, nos últimos 15 anos preferiu pintar de forma horizontal pois permitia pintar sentado. Intitulado o pintor da felicidade e das alegrias do momento, não se deixava abater. Dizia:
" Para mim, um quadro tem que ser alegre, bonito e agradável. Sim, bonito. A vida já tem coisas aborrecidas demais. Sei que é difícil convencer as pessoas que um quadro pode ser bonito e uma grande obra ao mesmo tempo".  

André Derain ( 1880-1954)- Esse pintor tem o maior número de quadros na L´Orangerie ( 28) do que qualquer outro artista do Museu. Apaixonado pela arte africana. Dizia que se encantava com o mistério do preto, cor que usava com frequência em suas obras. Em 1920 foi considerado por críticos de renome como " o maior pintor francês em vida" .

Pablo Picasso ( 1881-1973) - Casou-se com uma bailarina Russa ( Olga) e passou a pintar corpos de bailarinas de forma musculosa. Gordas! Começou a transformá-los igualdade a monstros de pedras sob a influência de Matisse quando fez uma viagem à Itália. Teve fases vaiadas e se expressou de múltiplas maneiras nas telas.

Henri Matisse ( 1869-1954)- A maioria de suas obras, que estão no Museu, retratam janelas, que passam a ser o tema preferido do artista na fase em que foi morar em  Nice e viveu hospedado em um hotel durante quatro anos.

                                    Foi um verdadeiro encontro com o tempo.
                                    Um fascínio que tenho em conhecer pessoas e suas trajetórias de vida.
                                    Cada um com sua história. Seus amores e des-sabores.
                                     E, assim transcendem a imaginação de todos nós.

                                                             Au revoir. À demain.








terça-feira, 15 de julho de 2014

Le Marais. Série Paris

A região do Marais é a fração mais cool de Paris. Fica no 3º e 4º arroudissement e é por ali que andam as pessoas descoladas, ligadas no mundo da moda, do cinema e em outras formas de arte.


A galera do Marais é jovem, chic e casual...gosta de sentar nos cafés da calçada, tomar sorvete, fazer compras de design.


Uma das principais atrações turísticas do bairro é a Place de Vosges, a mais antiga praça planejada da cidade. Uma beleza!


Passear por essa praça é programa dos melhores. 

Nesses arroudissement  encontra-se uma parte da comunidade judia parisiense. Entre as Rues Rosiers e des Ecouffes, encontramos sinagogas, livrarias, ótimas patisseries e padarias e o famoso  L´as du Fallafel, um restaurante simples que atrai multidões para saborear o maravilhoso sanduíche da casa por 8 euros.



Nessa eu também fui. De-li-ci-o-so!


Depois de nutrida e muito bem nutrida...uma espiadinha aqui e outra ali.
Opa! Olha o que encontrei  na 69-71, Rue de la Verrerie


Kilo Shop é uma loja que vende todos os produtos em quilo ( 30, 40 ou 60 euros o quilo): roupas, chapéus, lenços, sapatos. Tudo muito vintage. É preciso dedicar tempo para garimpar, mas garanto que as compras são demais! E, mais uma vez o bolso agradece...os preços ficam ótimos!!!!!


La Maison du Savon de Marseille fica bem pertinho...17, rue de Varrerie.
Difícil é escolher...são tantos sabonetes e tão perfumados! 


O dia foi bem aproveitado. Hora para uma paradinha e um café com torta de abricô.
Recomendo esse lugar que é um charme e serve almoço também, por um preço super honesto:
  Le Loir dans la Théière na 3, rue des Rosiers.


Hora de voltar para casa...mas antes uma passadinha no supermercado.
Voilá...o dia merece un vin rosé da Provence.


À demain. Com novas vivências!